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05 de junho de 2017

Brasil, oficialmente, faz parte dos países integrantes do Carbon Transparency Initiative, projeto do ClimateWorks


Projeto do ClimateWorks Foundation, financiador do iCS, o Carbon Transparency Initiative (CTI) cria Cenários de Desenvolvimento Atual com base em políticas, tendências de descarbonização e investimentos relacionados à energia em oito setores: aviação e marítimo; energia; transporte; petróleo e gás; construção; indústria; resíduos; e agricultura. Depois de desenvolver modelos que identificam eventuais progressos em relação às metas nacionais de redução de emissões nos Estados Unidos, China, Índia, México e União Europeia, o CTI chegou ao Brasil com apoio do Clima e Sociedade.

Ao lado de organizações, muitas das quais donatárias do iCS, como COPPE/UFRJ, Observatório do Clima e Instituto Escolhas, foi realizado um mapeamento da capacidade nacional de construção de cenários de emissões de gases de efeito estufa, além da integração dos indicadores brasileiros ao projeto. Os modelos utilizados pelo CTI se valem de uma metodologia baseada em análises fundamentais de um pequeno número de drivers que moldam as tendências de emissão e revelam o progresso em direção à construção de uma economia de baixo carbono.

“Fico muito feliz que o Brasil agora entra no CTI. É muito importante podermos comparar o esforço brasileiro de descarbonização com os outros países usando uma mesma metodologia. O CTI é uma plataforma que nossos financiadores usam e entendem e que comunica de maneira simples temas bastante complexos. O CTI é também um importante espaço de troca com outros grupos a nível internacional que estão calculando emissões futuras. A plataforma no Brasil foi desenvolvida com os nossos parceiros do SEEG que têm um trabalho incrível de monitoramento de emissões por setores e estados e agora estão desenvolvendo uma metodologia para estimar emissões futuras. O SEEG e o CTI são plataformas abertas e voltadas não só para a comunidade científica, mas um instrumento que pode ser usado e apropriado pela sociedade civil e a mídia.  Com o trabalho destas e de outras organizações teremos mais condição de monitorar as políticas brasileiras que influenciarão, positiva ou negativamente, as emissões futuras nacionais”, avalia Ana Toni, diretora-executiva do Clima e Sociedade.

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Durante webinar para apresentação dos primeiros resultados do CTI no Brasil, Surabi Menon, Senior Director, Advisory & Research do ClimateWorks, fez uma introdução sobre o Carbon Transparency Initiative e a importância de manter a mesma metodologia de análise e construção de cenários futuros de redução das emissões.

O mapeamento das emissões nacionais foi tema da fala de Tasso Azevedo, do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), e Seth Monteith, do CW. A edição 4.0 do sistema cobre o período de 1970 a 2050 com informações de todos os setores e mais de 600 fontes de emissões incluídas. Com o apoio do CTI, foi possível realizar uma projeção estimada de emissões por setor até 2030, baseado nos dados de análise e projeção do CTI em outras localizações geográficas. Há uma dificuldade, no entanto, na estimativa das emissões de Uso da Terra, com capacidade de manter as emissões constantes ou gerar emissões negativas.

De acordo com Seth Monteith, o Carbon Transparency Initiative foi desenvolvido como uma ferramenta capaz de comparar múltiplos níveis de uma economia e diferentes posições geográficas de países e regiões. À parte emissões provenientes de desmatamento, o perfil brasileiro é menor em comparação aos Estados Unidos, China, Índia e União Europeia – porém com uma curva crescente, ao contrário dos demais.

Um dos pontos de destaque dos estudos recai sobre a importância da eficiência energética como vetor de manutenção da temperatura média global do planeta abaixo de 2 graus Celsius. Enquanto outros países e regiões estão desenvolvendo medidas de eficiência e veículos movidos à eletricidade, o Brasil deve muito de suas baixas emissões no setor de transporte ao largo uso do biocombustível.

David Tsai e Marcelo dos Santos Cremer, ambos do IEMA, discutiram sobre o cenário atual e as projeções nos setores de energia e indústria. A tendência é de alta expressiva nas emissões provenientes dos transportes, indústria e petróleo e gás.

“É muito bom ver a capacidade de comparar as emissões do Brasil com outros países e analisar todos os setores. O país já perdeu muito dinheiro com ineficiência energética, e está caminhando no modelo Business as Usual em termos de energia. Já em transporte, nosso foco está nos passageiros, e na necessidade de criação de uma nova lei de redução de emissões de gases de efeito estufa no setor”, finaliza Ana Toni.

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