Desafios das mudanças climáticas

DESAFIOS
O aquecimento do planeta é consequência das atividades humanas que consomem combustíveis fósseis e emitem dióxido de carbono e outros gases responsáveis pelo efeito estufa.
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VISÃO

A visão do iCS é um Brasil próspero e justo liderando a transição para 1,5°C.
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FUTURO

Um futuro melhor depende basicamente das escolhas da sociedade. O iCS trabalha para que decisões sejam feitas rumo a um modelo de desenvolvimento próspero e de baixo carbono.
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DESAFIOS GLOBAIS

Um clima estável promove ecossistemas saudáveis, desenvolvimento econômico e bem-estar social

A estabilidade do clima está em risco e somos nós os maiores responsáveis por este fenômeno. O aquecimento do planeta é consequência das atividades humanas que consomem combustíveis fósseis e emitem dióxido de carbono e outros gases responsáveis pelo efeito estufa. O gráfico abaixo mostra as temperaturas globais médias anuais desde 1980, assim como a concentração de dióxido de carbono durante o mesmo período.

Diagrama A: Temperatura Média Global e Concentração de Dióxido de Carbono

A mudança climática já está afetando os ecossistemas, a economia e as comunidades em que vivemos. Ainda é possível evitar maiores impactos, mas é preciso uma mudança radical de atitude e do modelo de produção e consumo

iCS apoia a meta de 1,5°C establecida no Acordo de Paris. Embora esta meta seja considerada um limite “seguro”, certamente já podemos esperar consequências significativas do efeito estufa, tais como derretimento de camadas de gelo, elevação dos mares, oceanos mais ácidos, e frequentes eventos climáticos extremos. Esses eventos afetam o abastecimento de água e a produção de alimentos, prejudicam a atividade econômica e desestabilizam comunidades, principalmente as mais pobres (que são as mais vulneráveis). A tabela a seguir ilustra alguns efeitos resultantes do aumento das temperaturas médias globais.

A mudança climática é causada pelo aumento de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa na atmosfera – problema global e multifacetado.

O combate às alterações climáticas depende da nossa capacidade de reduzir as emissões globais de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa. No entanto, estas emissões – essencialmente produzidas pelo consumo de combustíveis fósseis – estão profundamente relacionadas às atuais infraestruturas e tecnologias, aos sistemas econômicos e ao modelo de produção e consumo existente. Construir um próspero mundo de baixo carbono – o caminho para minimizar os piores impactos da mudança climática – exige transformações globais. O quadro a seguir apresenta o percentual de gases de efeito estufa produzidos em diferentes regiões e aponta a natureza do desafio a ser enfrentado.

Diagram C: 2010 GREENHOUSE GAS EMISSIONS: GEOGRAPHICALLY & SECTORALLY DISPERSED

Precisamos reduzir as emissões de gases de efeito estufa, melhorando a eficiência energética e ampliando o acesso a fontes de energia renováveis

A energia é um insumo fundamental para o desenvolvimento social e econômico. Quando privadas de energia, as comunidades são frequentemente carentes de benefícios econômicos e sociais. As sociedades devem enfrentar, ao mesmo tempo, a pobreza energética e as mudanças climáticas. Enquanto esforços vitais estão sendo realizados a fim de combater a pobreza global, devemos maximizar a energia proveniente de fontes mais sustentáveis, baratas e de baixo conteúdo de carbono.

DIAGRAMA D: PESSOAS SEM ACESSO A MODERNOS SERVIÇOS DE ENERGIA (EM MILHÕES)

É tempo de agir!

Podemos evitar as consequências das mudanças climáticas agindo com urgência e determinação no intuito de transformar as práticas que produzem emissões de gases de efeito estufa. Embora tenhamos a exata noção da origem dessas emissões, sabemos também que não existe uma fórmula mágica para reduzi-las. Como mostra o cenário abaixo, para que seja possível impedir o aumento da temperatura global em mais de 1,5 ˚C, serão necessárias ações, inovações e transformações em todos os setores. Maior vontade política, mudanças rápidas e o cultivo de sumidouros naturais de carbono podem encurtar mais rapidamente a distância existente entre nossa situação atual e o limite do aumento da temperatura global a 1,5˚C.

DIAGRAMA E: CENÁRIO DE POSSÍVEIS REDUÇÕES COM O OBJETIVO DE LIMITAR AS EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUFA

Caminhos em direção a um futuro de baixo carbono: políticas públicas eficazes, mobilização da sociedade civil e inovação empresarial.

Reduzir a velocidade e a magnitude dos impactos da mudança climática exigirá vontade política, transformações econômicas e apoio da população. A vontade política do governo – local, nacional e global – é fundamental para esse esforço. A política pública, ao estabelecer padrões, normas, incentivos e oportunidades de investimento, direciona os mercados e as indústrias. A sociedade civil cobra e monitora políticas de baixo carbono que aumentam o bem-estar e a igualdade social. A inovação empresarial cria novos produtos, processos e mercados, motivando e abrindo caminho para novos avanços.

O gráfico a seguir mostra a rápida progressão dos investimentos em energia eólica e solar na década passada. Este crescimento é resultado de eficiente esforço que inclui a adoção de políticas de apoio, o aumento de investimentos em energia renovável e a aceitação, pelo consumidor, de novas práticas e tecnologia.

DIAGRAMA F: TENDÊNCIA DE INVESTIMENTO E CAPACIDADE DE ENERGIAS EÓLICA E SOLAR

A filantropia tem um papel fundamental na transição para um mundo próspero e de baixo carbono.

A filantropia tem sido de grande ajuda na tentativa de evitar avanços ainda maiores das mudanças climáticas. Suas colaborações incluem: construção e participação em redes de atores, apoio a pesquisas, avaliação de políticas e projetos, formação e capacitação de stakeholders e formuladores de políticas públicas, além do trabalho de sensibilização e conscientização da população e mobilização das instituições. Mas esse esforço não é suficiente frente ao desafio que se apresenta diante de nós, uma vez que a humanidade ainda não encontrou os caminhos para solucionar a crise climática. Caso ela não consiga ser controlada, ganhos sociais conquistados nas últimas décadas estarão comprometidos. Aí reside a importância fundamental da filantropia, cujo maior objetivo é colaborar para uma sociedade melhor, contribuindo para tal com maiores recursos a fim de garantir um futuro próspero. Hoje, no entanto, a filantropia ainda representa pequena parcela dos montantes doados para a mitigação e adaptação das mudanças climáticas.

DIAGRAMA G: FILANTROPIA ESTÁ MUITO AQUÉM DE OUTROS SETORES

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DESAFIOS PARA O BRASIL

Estimativa das emissões de CO2e em 1970-2014 alocada nos estados brasileiros

Panorama geral das emissões brasileiras

Entre 1990 e 2014, as emissões brutas de Gases de Efeito Estufa (GEE) brasileiras passaram de 1,83 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente (Gt CO2e) para 1,56 Gt CO2e – uma queda de mais de 15%. A trajetória das emissões, contudo, teve períodos distintos de crescimento e redução de emissões, superando 2,8 Gt CO2e em 1995 e 2004, e caindo quase à metade desse valor (1,4 Gt CO2e) em 2012.

Evolução das emissões brutas de GEE no Brasil entre 1990 e 2014

Evolução das emissões brutas de GEE no Brasil entre 1990 e 2014

Nesse período, o perfil das emissões mudou significativamente. Em 1990, o desmatamento foi responsável por um terço das emissões de CO2 no Brasil. A agricultura e a energia ocuparam, respectivamente, o segundo e o terceiro lugares. Apesar do desmatamento ocupar um posto histórico como principal responsável pelas emissões de CO2 em nosso país, em 2014 as emissões no setor de energia chegaram ao mesmo patamar, o que sinaliza que ele ameaça o futuro do Brasil de baixo carbono.

O grande desafio para o Brasil hoje é mais relacionado com emissões futuras do que com emissões atuais.

O grande desafio para o Brasil hoje é mais relacionado com emissões futuras do que com emissões atuais.

Emissões de CO2e do setor de energia

Em 2014, o setor de energia foi responsável por mais de um terço das emissões de CO2 no Brasil. Quando observadas as emissões por diferentes atividades, o transporte lidera, com 46% (esse percentual era de 38% em 1990). A partir de 2009, houve forte crescimento das emissões desse setor, em especial no transporte de cargas e no transporte individual de passageiros. O consumo de gás natural também deu um salto, na esteira do aumento de geração elétrica a partir de térmicas devido à crise das hidrelétricas.

Emissões de GEE do setor de energia por segmento de atividade 1990-2014

Emissões de GEE do setor de energia por segmento de atividade 1990-2014

Os meios de transportes que mais contribuem para as emissões de energia são os caminhões e os automóveis. Juntos, representaram em torno de 70% das emissões deste setor entre 1990 e 2014, sendo que as emissões do transporte individual têm crescido significativamente nos últimos anos.

Emissões de CO2 no setor de energia por meio de transporte 1990-2014 (MtCO2e)

Emissões de GEE de processos industriais

Os segmentos que mais contribuem para as emissões de processos industriais são a siderurgia (produção de ferro-gusa e aço) e a produção de cimento. Juntos, esses setores representaram 50% das emissões da indústria em 2014.

Emissões de GEE de resíduos

Os resíduos são responsáveis pela menor parcela de emissões no Brasil, com 68,3 milhões de tCO2e em 2014. Mesmo assim, essa cifra representa um crescimento de mais de 250% desde 1990, levando-se em consideração que a coleta e tratamento de esgoto e resíduos sólidos ainda é baixa no Brasil. Portanto, a trajetória de emissões neste setor continuará aumentando nos próximos anos.

Observando as emissões alocadas em 2014, Pará e Mato Grosso se destacam como os maiores emissores do Brasil, devido ao desmatamento e à atividade pecuária. Logo em seguida vêm São Paulo e Minas Gerais, onde predominam emissões do setor de energia (especialmente o transporte) e, no caso mineiro, o gado de leite.

Emissões de GEE do setor de energia por segmento de atividade 1990-2014

Emissões alocadas nos estados

Emissões brasileiras no contexto global

A evolução das emissões brasileiras de GEE em relação à dinâmica das emissões globais pode ser dividida em quatro fases:

  • Entre 1990 e 1997 as emissões totais no Brasil cresceram num ritmo maior que as emissões globais;
  • Entre 1998 e 2004, as emissões cresceram num ritmo similar ao das emissões globais;
  • Após 2005, apresentam uma forte redução, enquanto crescem no resto do mundo ;
  • Após 2009, as emissões pararam de cair e têm se mantido relativamente estáveis, no entorno de 1,5 Gt CO2e.

Emissões de GEE no Brasil e no mundo

A participação do Brasil nas emissões globais também variou bastante no período analisado:

  • Em 1990 o país detinha 4,6% das emissões globais
  • Em 1997 chegou a 7%
  • Em 2012 caiu para cerca de 3%

MUT= Mudança de Uso da Terra
A queda da última década da emissão per capita brasileira reflete o sucesso da política de combate ao desmatamento na Amazônia.

Políticas Climáticas no Brasil

A Política Nacional sobre a Mudança do Clima (PNMC) foi instituída no Brasil em 2009 por meio da Lei nº 12.187/2009, que oficializa o compromisso voluntário do país de reduzir as emissões de GEE entre 36,1% e 38,9% com base em projeções até 2020 junto à Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima.

Segundo o Decreto nº 7.390/2010, que regulamenta a Política Nacional sobre Mudança do Clima, a linha de base de emissões de gases de efeito estufa para 2020 foi estimada em 3,236 GtCO2-eq. Assim, a redução absoluta correspondente ficou estabelecida entre 1,168 GtCO2-eq e 1,259 GtCO2-eq, 36,1% e 38,9% de redução de emissões, respectivamente. Os instrumentos para sua execução são, entre outros: o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima e a Comunicação do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

A governança da PNMC cabe ao Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM) e seu Grupo Executivo (GEx), instituídos pelo Decreto presidencial n° 6.263/2007.

Fonte: www.mma.gov.br

Houve a promessa de revisão do Plano Nacional sobre Mudança do Clima em 2015. Até agora, no entanto, essa revisão não aconteceu.

Para o iCS a readequação de governança e implementação de um Plano Clima efetivo são essenciais para o país.

Cenários de emissões até 2030

Se nenhuma medida adicional de mitigação for adotada, prevê-se um aumento das emissões a partir de 2020, principalmente em razão do ritmo de crescimento econômico com base na queima de combustíveis fósseis e da atividade agropecuária. Esse cenário é baseado no plano PNE 2050 da Política Nacional sobre a Mudança do Clima (PNMC).

Fonte: IES-Brasil (projeto Implicações Econômicas e Sociais, coordenado pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas).

O Brasil pode atingir a meta justa e ambiciosa de redução 1 bilhão de toneladas de CO2e se focar ações em três setores-chave da economia: agricultura, desmatamento e energia. Juntas, elas podem efetuar uma redução de 35% nas emissões de gases de efeito estufa em relação aos níveis de 2010.

Fonte: Observatório do Clima.

As Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas do Brasil (INDCs, na sigla em inglês), declaram a meta de reduzir as emissões de GEE em 37% até 2025 e uma contribuição indicativa de 43% até 2030, com base no ano de 2005.

Fonte: Climate Action Tracker

Os Desafios para o Brasil

O Brasil, sendo um dos maiores emissores mundiais, tem as condições para atingir a neutralidade de emissões de carbono em 2050. Primeiro, as emissões nacionais mostram que o desmatamento, a agricultura e o setor de energia são responsáveis por entorno de um terço das emissões totais cada um em 2014. O desmatamento na Amazônia ainda é grande, de 5 mil m2 ao ano, e poderia diminuir ao redor de 2 mil m2 se o Novo Código Florestal for entrasse em vigor de fato.

No setor da agricultura, a causa principal de emissões de GEE é a pecuária bovina ainda com 1 cabeça por hectare, em sua maioria, usando pastagens naturais.

Porém, o evidente crescimento de emissões de GEE causado pelo setor da energia é estrutural, como resultado das escolhas por determinadas tecnologias e recursos. Considerando o tamanho e a diversidade do Brasil, existem abundantes recursos naturais renováveis (incluindo sol, vento, terra e floresta) a desenvolver. Cada recurso possui pelo menos uma tecnologia disponível, como alternativa para abastecer a demanda crescente de energia da sociedade e economia brasileira com baixa, ou até zero, emissão de CO2.

Nosso desafio é assegurar que essas oportunidades sejam implementadas efetivamente.