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Tuesday January 16th, 2018

iCS e parceiros realizam pesquisa de opinião sobre mobilidade e combustíveis


O iCS encomendou ao Ideia Big Data, em parceria com o Instituto Escolhas, uma pesquisa inédita sobre como o brasileiro enxerga o setor de transporte no Brasil. Os resultados não chegam a surpreender, ao menos do ponto de vista da forma pela qual as cidades brasileiras foram construídas ao longo dos anos, voltadas para os automóveis: questionados sobre qual modal consideram o ideal para a locomoção, 30% dos 3 mil entrevistados em todo o país apontaram o carro, seguido por ônibus (19%) e bicicleta (16%). A explicação baseia-se, por exemplo, na péssima visão das pessoas em relação às concessionárias de ônibus, trens e metrô, além da sensação de insegurança e falta de conforto.

De acordo com Walter Figueiredo de Simoni, coordenador do portfólio de Transporte do iCS, a pesquisa mostra uma leitura realista do transporte público no Brasil. 57% dos entrevistados consideram a atuação das empresas permissionárias de ônibus negativa ou muito negativa. Ao mesmo tempo, 60% dos brasileiros acreditam que o país têm condições de substituir os combustíveis fósseis, embora apenas 37% de fato crerem que esse movimento será feito.

“Fizemos a pesquisa por duas razões: a primeira foi para ter um raio-x e uma linha de base inicial para entender as percepções do brasileiro em relação às questões de mobilidade urbana e às questões de combustíveis fósseis. O que as pessoas enxergam como políticas desejáveis, e como o brasileiro médio enxerga o transporte público, o carro, o petróleo, quais as palavras, ideias e conceitos que se associam a esses temas. A segunda razão foi para começarmos a ter um diálogo internacional. Os EUA já tinham feito pesquisa semelhante, a China fez também”, explica.

Outro dado relevante mostra justamente a preocupação nacional com os derivados de petróleo. A grande maioria defende que o consumo de gasolina, por exemplo, deve ser reduzido um pouco (33,9%) ou muito (45,6%). Já quando a pergunta direcionava para a direção oposta, ou seja, a respeito de eletricidade, biocombustível e gás natural, a posição majoritária é de apoio ao crescimento do consumo – principalmente na faixa etária mais jovem, de 16 a 34 anos, com maior nível de escolaridade e de classe social mais alta.

Considerando as eleições federais e estaduais de 2018, a pesquisa também quis saber se os brasileiros tendem a apoiar políticos comprometidos com a melhoria no transporte urbano. Enquanto 85% são favoráveis à renovação das frotas de ônibus, 84% à construção de novas ciclovias e 82% ao maior investimento em trens e metrôs, apenas 30% consideram positivo aumentar os impostos para carros que usam gasolina ou diesel e 34% a criação de pedágios urbanos para o incentivo à carona.

“As pessoas sabem que o combustível fóssil é danoso, mais de 80% da população tem essa conexão feita, o que é legal, principalmente do ponto de vista da relação entre combustível fóssil e clima. Mesmo tendo essa ideia e noção de danos causados, as petroleiras e os combustíveis fósseis ainda são vistos como um mal necessário, e grande parte disso está ligado à economia e geração de emprego. Não lidamos apenas com uma questão ambiental, portanto, mas sim de desenvolvimento econômico. Temos que criar alternativas econômicas para desacoplar o crescimento dessas indústrias ao desenvolvimento econômico no Brasil”, finaliza Walter.

 

Confira aqui o relatório completo: IDEIA/iCS/Escolhas – Relatório Quantitativo

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