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CARBON TRANSPARENCY INITIATIVE (CTI)


Florestas, Agricultura e Mudanças no Uso da Terra são incorporadas à ferramenta de monitoramento de emissões de Gases de Efeito Estufa

Novas funcionalidades do ClimateWorks Tracker facilitam compreensão dos fluxos de carbono (do Blog da ClimateWorks Foundation)

Quais são as regiões em que o setor de uso da terra captura e estoca dióxido de carbono da atmosfera, e em quais regiões este setor emite dióxido de carbono? Como as emissões resultantes do uso da terra se comparam às do setorde energia? Como essas emissões têm mudado e como elas podem evoluir?

         

Analistas e formuladores de políticas podem começar a responder essas questões através do uso da nova versão expandida do ClimateWorks Tracker, que permite que os usuários façam comparações geográficas e setoriais utilizando dezenas de indicadores climáticos, com base em dados do projeto Carbon Transparency Initiative (CTI). A ferramenta de modelagem das emissões de toda a economia passa a contar com dados sobre emissões resultantes do uso da terra, junto com a modelagem das emissões de gases de efeito estufa (GEE) do Brasil, uma ferramenta desenvolvida através de parceria com o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), uma plataforma criada por um consórcio de ONGs brasileiras agindo sob o guarda-chuva do Observatório do Clima . Essas novidades, disponíveis na recém-lançada versão em português do Tracker, bem como em nossas versões em inglês e em chinês simplificado, estão ajudando a esclarecer o funcionamento de componentes críticos do sistema climático da Terra: As florestas e como diferentes formas de uso da terra estão afetando o seu papel na regulação climática.

As florestas são um componente indispensável do sistema climático, mediando fluxos interanuais de concentrações de dióxido de carbono e sequestrando enormes quantidades de carbono em suas árvores, gramíneas e solos. À medida que o desmatamento e a degradação das paisagens naturais prejudicam essas funções, torna-se mais urgente a necessidade de entender a contribuição das florestas como sumidouros efetivos de carbono e como tal contribuição vem mudando. As novas ferramentas do ClimateWorks Tracker abordam a falta de transparência e a complexidade na apresentação de avaliações científicas dos efeitos das florestas, do uso da terra e da mudança no uso da terra no balanço líquido de emissões de GEE. Ao possibilitar comparações de emissões de uso da terra com projeções, compromissos assumidos e cenários futuros o Tracker promove a capacidade da sociedade civil de atual junto aos governos para que levem em conta tais efeitos no desenho, implementação  e monitoramento das politicas publicas.

O Brasil, que abriga a maior floresta tropical do planeta, é um país onde essas emissões desempenham um papel extraordinário. Foi o primeiro grande país florestal no planeta a monitorar sistematicamente a evolução da perda de cobertura florestal tropical. Utiliza desde a década de 1980 análises de imagens de satélite para orientar a criação e no monitoramento de políticas públicas de combate ao desmatamento na Amazônia. Muitas lições aprendidas estão sendo implementadas em outros biomas brasileiros e são agora compartilhadas com outros países na América Latina, Ásia e na África, através de iniciativas de cooperação Sul-Sul.

Através de parcerias com múltiplas ONGs brasileiras no âmbito do SEEG, agimos em cooperação com especialistas nacionais e internacionais na criação de um novo modelo da CTI de emissões de gases de efeito estufa no Brasil. Com base em fontes de dados oficiais locais, este modelo elucida as métricas de atividade e intensidade que anualmente impulsionam as emissões de GEE no Brasil. Usaremos essas informações para acompanhar o progresso da descarbonização, assim como fazemos com nossos modelos relativos a outras geografias, integrando os resultados nos painéis de controle já publicados de RegiõesSetores, e Métricas no site do ClimateWorks Tracker, de modo a permitir comparações entre indicadores climáticos chave para o Brasil e outras geografias analisadas no CTI, incluindo a China, a UE, a Índia, o México e os EUA.

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As emissões líquidas de CO2 para mudanças de uso da terra e florestal é calculado multiplicando fatores de emissão sobre a quantidade de área que sofreu mudanças de uso da terra ou permaneceu como floresta. Os fatores de emissão podem ser positivos ou negativos dependendo da variação líquidas de carbono no local resultantes da mudança de uso da terra. Quando existe falta de informação sobre todas as mudanças de uso da terra são usadas as alterações mais significativas (ex. desmatamento) como proxy para estimar as emissões de todas as mudanças. No site do ClimateWorks Tracker é possível escolher entre diferentes cenários de implementação de políticas publicas para explorar as diferentes trajetórias de emissões por mudança de uso da terra.

 

 

O compromisso assumido pelo Brasil de reduzir suas emissões de GEE no âmbito do Acordo de Paris sublinha a oportunidade que o país tem para fazer uma contribuição significativa para meta gloval de limitar o aumento de temperatura bem abaixo de 2°C. Dotado de fontes abundantes de recursos energéticos com baixas emissões de carbono e vastas florestas, o Brasil é assombrado pela possibilidade de um grande aumento no uso de combustíveis fósseis e a reversão dos resultados obtidos no combate ao desmatamento. No entanto, se cumprir a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) assumida no âmbito do Acordo de Paris, o Brasil poderá garantir que suas emissões de GEE resultantes de mudanças no uso da terra e florestas se tornem negativas até 2030.

Cabe à sociedade civil defender o cumprimento da NDC e a continuidade da redução do desmatamento ilegal no Brasil. A disponibilidade de serviços abertos e transparentes de dados e de rastreamento  contribui para este esforço constante da sociedade civil. O ClimateWorks Tracker atualizado não só fornece esses serviços em relação ao uso da terra, mas também contextualiza as emissões e os sumidouros de carbono resultantes do uso da terra em relação ao setor de energia.

As emissões do setor de geração de eletricidade são calculadas a partir da aplicação de fatores de emissão de CO2, CH4 e N2O ao total de eletricidade gerada nas usinas térmicas movidas a combustíveis fósseis (petróleo, carvão mineral e gás natural), bem como através de fatores de emissão de CH4 e N2O associados à queima de biomassa. Devido à elevada participação de usinas hidroelétricas, a intensidade de emissões de GEE da geração elétrica brasileira é baixa em comparação com outras localidades, porém há poucas oportunidades remanescentes para aproveitamento sustentável do potencial hidroelétrico brasileiro, implicando na necessidade de expansão do uso de outras fontes renováveis como eólica e solar, bem como de medidas de melhoria da eficiência energética.

 

 

À medida em que emergem estratégias de redução de emissões para o meio do século e outras estratégias de longo prazo, o foco nesses fluxos de carbono se intensificará, com as nações se esforçando para alcançar emissões líquidas zero de carbono. O desenvolvimento do modelo brasileiro ofereceu uma excelente oportunidade de colaboração com especialistas locais em uso da terra envolvidos nos fluxos de carbono (incluindo Imaflora e Imazon). A partir dessa oportunidade, implementamos metodologias semelhantes para todas as outras geografias da CTI e disponibilizamos os resultados no recém-projetado Painel de Controle do Uso da Terra . Em seguida, trabalhando em conjunto com outros parceiros locais, incluindo a Climate and Land Use Alliance (CLUA), usaremos os modelos da CTI para explorar como o setor agrícola poderia contribuir para a redução das emissões associadas à pecuária e à produção agrícola.

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As emissões anuais no setor agrícola no Brasil, na China, na UE, na Índia, no México e nos EUA devem totalizar 3.7 Gt CO2e/ano em 2030. Esse valor representa 12% das emissões globais de GEE para as seis regiões e 6,4% das emissões globais de GEE em 2030.