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28 de novembro de 2016

Emissões brasileiras de gases de efeito estufa cresceram 3,5% em 2015, diz SEEG


O SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), iniciativa do Observatório do Clima apoiada pelo Clima e Sociedade, lançou seus novos dados com as emissões brasileiras de 2015, durante seminário realizado no dia 27 de outubro. O evento foi promovido no Museu do Amanhã, na zona portuária do Rio de Janeiro, em formato inovador e dinâmico.

Para este ano, os destaques do sistema foram a elevação de 3,5% de emissões de gases de efeito estufa (GEE) em relação ao ano anterior. Também como destaque, o Seminário apresentou um acordo de cooperação entre o Observatório do Clima e o Museu do Amanhã.

“Além do lançamento dos novos dados do SEEG, o evento teve como proposta lançar um olhar para o futuro organizando um painel sobre o desafio da descarbonização da economia brasileira até 2050. Participaram desse debate, com palestras inspiradoras, pessoas de perfis muito distintos, com o climatologista e professor Carlos Nobre, profundo conhecedor do tema, o Dr. Luiz Augusto Barroso, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o secretário de Meio Ambiente de Pernambuco, Sérgio Xavier (que trouxe histórias sobre o projeto de carbono zero para Fernando de Noronha, e os erros e acertos até o momento), além do Sérgio Leitão, diretor-executivo do Instituto Escolhas”, analisa Branca Americana, coordenadora do Portfólio de Política Clima no Instituto Clima e Sociedade.

Em números reais, o Brasil emitiu 1,927 bilhão de toneladas brutas de CO2 equivalente (a soma de todos os gases causadores do efeito estufa convertidos em dióxido de carbono) em 2015, contra 1,861 bilhão em 2014.

Esse aumento acontece justamente no ano em que o país viveu uma das piores recessões econômicas de sua história. Ao mesmo tempo, o país enfrentou o aumento de 24% nas taxas de desmatamento na Amazônia em 2015, com base no ano anterior.

O setor de energia, por sua vez, caiu – fato que não acontecia desde 2009. O decréscimo de 5,3% nas emissões de GEE em relação a 2014 é explicado tanto pela crise econômica, quanto pelo avanço das energias renováveis. No setor de transportes, houve uma redução de 7,4% nas emissões, em especial graças ao acréscimo no fornecimento do álcool combustível para veículos leves e queda no uso de diesel para transporte de carga. Já a geração de eletricidade e as atividades industriais tiveram quedas de, respectivamente, 4,8% e 2,9%, principalmente em função da desaceleração da economia.

O quadro das emissões de GEE no Brasil em 2015 confirma o processo de estagnação dos últimos anos, mesmo após os compromissos de redução de emissões assumidos pelo país durante a Conferência de Copenhague, organizada pelas Nações Unidas em 2009.

Ana Toni, diretora executiva do Clima e Sociedade, participou como mediadora do Seminário do SEEG na mesa de encerramento.

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