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28 de novembro de 2016

Habitat III, realizada em Quito, formaliza Nova Agenda Urbana para os próximos 20 anos


Entre os dias 17 e 20 de outubro, a cidade de Quito, capital do Equador, foi sede da Habitat III – Conferência das Nações Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano. Durante esse período, chefes de Estado e seus representantes, além de centenas de prefeitos e representantes da sociedade civil e de governos nacionais e locais, reuniram-se para finalizar o documento e o plano de ação da “Nova Agenda Urbana” para os próximos 20 anos.

O Clima e Sociedade participou do encontro, na presença de seu Coordenador do Portfólio de Mobilidade Urbana, Walter Figueiredo de Simoni, e apoiando a ida de quatro donatários – representantes das organizações Cidade a Pé, Bike Anjo, A Cidade Precisa de Você e Corrida Amiga.

Muitas outras instituições e entidades parceiras e donatárias do Clima e Sociedade também participaram da conferência, casos da Casa Fluminense, WRI, ITDP, Avina e Fundação Ford. A Conferência teve como centro do debate os rumos das cidades no mundo, uma vez que 3,9 bilhões de pessoas (cerca de 50% da população global) vivem em aproximadamente 1 milhão de centros urbanos. São eles os responsáveis pela geração de cerca de 70% do PIB mundial.

“A expectativa da nossa ida não tinha tanta relação com a programação oficial, uma vez que todos conhecíamos a Nova Agenda Urbana e as discussões eram focados no seu processo de implementação. O nosso foco foram os eventos paralelos às discussões oficiais dos diplomatas”, diz Walter.

De Simoni também foi convidado a moderar um evento paralelo organizado pela European Cyclists’ Federation, que ocorreu no mesmo prédio das discussões oficiais, sobre mudanças climáticas e bicicletas.

“Alguns dias antes de começar o Habitat III, houve o chamado Youth Habitat, com muitas discussões interessantes e momentos de troca, inclusive com academia e setor privado. Durante a Conferência propriamente, um ponto chamou atenção: há uma tentativa real de juntar diferentes pontos de longo prazo discutidos pelas Nações Unidas, como mudanças no clima, com a agenda urbana. Mas isso ainda não aparece tanto ao descer para as cidades e sociedade civil. O que gera uma preocupação, uma vez que foram identificados inúmeros problemas de curto prazo, como qualidade de vida, saneamento, entre outros. É preciso pensar como juntar essas agendas”, explica.

Uma das opções é a reflexão sobre as urgências das cidades relacionadas à resiliência e adaptação, indica Walter. A Conferência em Quito reforçou a percepção de que duas narrativas estão em mais evidência – a primeira, que ressalta a questão social como centro do debate, de acessibilidade a todos e espaços públicos mais humanos; e, a outra, voltada à tecnologia, para as chamadas smart cities, focada em soluções como carros elétricos e democratização da energia fotovoltaica. Foram raros os momentos em que essas duas faces de uma mesma história coexistiram.

“Um dos nossos desafios daqui para frente, no Clima e Sociedade, é entender como essas narrativas podem dialogar”, finaliza Walter.

Como signatário das Nações Unidas, o Brasil deverá usar a Nova Agenda Urbana como um compromisso que norteie suas ações nas próximas duas décadas. É verdade, no entanto, que trata-se de um compromisso não vinculante, o que exime os países de responsabilidade caso decidam não segui-la.

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