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06 de março de 2017

Entrevista: Ricardo Gorini e Jeferson Soares, da EPE


A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) está envolvida diretamente nos estudos de suporte para o Plano de Ação de Eficiência Energética, coordenado pelo Ministério de Minas de Energia. Seu objetivo é elaborar as ações de eficiência energética que o governo brasileiro pretende implementar para atingir ou mesmo superar as metas estabelecidas para o setor energético. O iCS é parceiro da EPE em uma série de eventos e workshops que auxiliam a elaboração do Plano de Ação, sendo o Workshop Internacional “O Papel da Eficiência Energética na Economia de Baixo Carbono do Brasil”, realizado em setembro de 2016, o primeiro dessa leva de encontros.

Confira abaixo uma entrevista exclusiva com Ricardo Gorini, Diretor de Estudos Econômicos, Energéticos e Ambientais, e Jeferson Soares, Superintende de Estudos Econômicos e Energéticos, ambos da EPE.

Jeferson Soares

Jeferson Soares

Ricardo Gorini

Ricardo Gorini

iCS: Quais são os planos e principais atividades da EPE em 2017?

Além dos produtos tradicionais, como os estudos do Plano Decenal de Energia (PDE), Balanço Energético Nacional (BEN), Monitoramento de mercado (resenhas de eletricidade, boletins de conjuntura energética e de combustíveis etc.), para citar apenas alguns, em 2017 a EPE está envolvida nos estudos de suporte para o Plano de Ação de Eficiência Energética, coordenado pelo MME (Ministério de Minas e Energia). Também estamos envolvidos ativamente na discussão da implementação dos compromissos brasileiros no combate às mudanças climáticas, coordenando as ações referentes ao setor de energia, no âmbito do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.

No campo institucional, a EPE está envolvida nas iniciativas “Gás para Crescer”, “RenovaBio” e “Combustível Brasil”, lançadas pelo MME, com o objetivo de trazer investimentos e desenvolver mercados como o gás natural, biocombustíveis e refino/abastecimento de derivados, respectivamente.

iCS: Como a EPE enxerga a relação entre a questão climática e a geração de energia elétrica no Brasil?

A contribuição do setor elétrico brasileiro para as mudanças climáticas em termos relativos é bastante tímida e para isso contribui o elevado grau de renovabilidade da nossa matriz elétrica, devido à participação da geração hidrelétrica, eólica, biomassa e, em um movimento mais recente, a penetração da fonte solar fotovoltaica.

De acordo com os planos futuros do país, com a redução da contribuição do uso do solo para as emissões de gases de efeito estufa, a contribuição relativa do setor de geração de eletricidade no Brasil tende a aumentar. Ainda assim, olhando para a frente, esse setor no Brasil permanecerá com baixa relevância em termos mundiais no tocante às emissões de gases de efeito estufa, o que é ótimo para o Brasil. A despeito desse aspecto, o Brasil se comprometeu a empreender ações no setor de energia, em especial no setor elétrico, de modo a aumentar a participação de outras fontes renováveis (eólica, biomassa e solar), além de viabilizar a expansão de usinas hidrelétricas no longo prazo, que tem papel importante para viabilizar mesmo a penetração de maiores percentuais de fontes intermitentes de geração elétrica.

Não podemos esquecer dos combustíveis. Nesse caso, também é relevante destacar a elevada participação de renováveis em nossa matriz, através do etanol. As ações de médio e longo prazo são no sentido de no mínimo manter a participação de renováveis na matriz energética. E para isso o papel da eficiência energética é vital.

iCS: A EPE já realizou, junto ao iCS, três eventos (sendo o primeiro, o Workshop Internacional de Eficiência Energética, o maior), sendo o próximo em breve. Qual a importância desses eventos para vocês e como observam a contribuição do iCS para o trabalho da EPE?

Estes eventos se inserem dentro da estratégia de elaboração dos estudos de suporte ao Plano de Ação de Eficiência Energética do Brasil, como parte das ações de implementação do compromisso brasileiro no combate às mudanças climáticas. Além do papel de coletar informações e debater propostas para acelerar a eficiência energética no Brasil, tais eventos também visam determinar ações para estabelecer um canal de diálogo com os agentes e com a sociedade sobre o tema de eficiência energética. Nesse sentido, a contribuição do iCS tem sido fundamental apoiando a EPE em questões de suporte técnico e logístico para a realização desses eventos, que deverão ter continuidade ao longo do ano de 2017.

iCS: A EPE está envolvida no Plano de Ação de Eficiência Energética a pedido do Ministério de Minas e Energia. Qual a expectativa para ele, a sua importância no cenário nacional e a previsão para a sua conclusão?

A EPE está envolvida na elaboração dos estudos de suporte para o Plano de eficiência energética do MME. A expectativa do plano é entregar à sociedade um instrumento onde constem as ações pretendidas pelo governo brasileiro para implementar ações de eficiência energética que permitam atingir ou até superar as metas que o Brasil estabeleceu para o seu setor energético em termos de eficiência energética. Nesse sentido, o desafio é enorme e a importância de igual envergadura, pois se espera apresentar ações estruturais nesse campo, onde seja possível ações, ganhos esperados para a sociedade, financiamento associado e instrumentos para sua implementação.

Os estudos em andamento ocorrerão ao longo de 2017.

iCS: Como o setor da energia elétrica pode contribuir para o cumprimento das metas da NDC brasileira?

No campo governamental, ações estão sendo desenvolvidas para viabilizar os compromissos assumidos durante a COP 21. Isso envolve, por exemplo, o Plano de Ação de Eficiência Energética, o Programa de Incentivo à Geração Distribuída (VRES-GD), as ações para viabilizar o aproveitamento hidrelétrico, entre outros. Mas ações adicionais deverão ser empreendidas e o governo brasileiro está comprometido com o cumprimento dessas metas. Por outro lado, o setor privado pode contribuir enormemente participando desse debate, colaborando em sugestões para implementação de ações, criando instrumentos de financiamento para eficiência energética e geração distribuída, por exemplo. O cumprimento das metas da NDC brasileira envolve toda a sociedade e dela depende como um todo.

iCS: O iCS atua em três portfólios prioritários, sendo um deles justamente o de energia elétrica. Como a EPE observa a atuação de uma organização como o iCS no Brasil, eminentemente doadora?

Instituições como o iCS tem um papel importante para contribuir na discussão de temas de interesse para a sociedade em geral e, também, para a implementação desses temas.

O processo participativo é fundamental e enriquece os estudos de planejamento energético e sua implantação. Instituições como o iCS facilitam a relação com os diferentes stakeholders e especialistas, elevando a qualidade e a eficácia das discussões e das decisões.

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