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16 de maio de 2018

Workshop internacional debate sobre o uso da água em termelétricas e suas localizações em áreas de escassez hídrica


Encontro discute sobre o papel da termeletricidade no Sistema Interligado (SIN), desafios atuais e futuros associados à gestão ambiental e territorial e muito mais! Veja!

Nos dias 25 e 26 de abril, O Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) realizaram o workshop internacional “A Termeletricidade no novo contexto do setor elétrico: a importância da avaliação de impactos ambientais”. A pauta do evento levantou os principais desafios regulatórios e institucionais para a avaliação e gestão de impactos advindos desse tipo de geração de energia, tema estudado pelo IEMA há cerca de 30 meses.

“Durante esse período, elaboramos uma plataforma online, com financiamento do iCS e da Mott Foundation (assim como o workshop), para localizar geograficamente as usinas termelétricas com potencial de geração acima de 100 megawatts (MW). Identificamos que muitas delas estão em áreas de estresse hídrico e, por isso, perguntamos: como é o processo decisório que autoriza a construção de um tipo de usina com alta demanda de consumo de água em locais onde há escassez para o consumo humano, como o Ceará, por exemplo? Em Pecém, existe uma usina que se transformou na 2ª maior consumidora de água do estado”, explicou Munir Soares, do IEMA.

Após o entendimento de que o setor elétrico tem a necessidade clara de manter e construir usinas termelétricas para o abastecimento energético –  e que essa decisão faz sentido sob a ótica da transição para uma economia de baixo carbono, em função dos elevados custos atuais das energias eólica e solar –, o IEMA investigou o motivo pelo qual o planejamento setorial não considera uma série de menções sociais e ambientais relevantes no processo.

Como resposta, encontrou um terreno no qual o Ministério de Minas e Energia entende não ser de sua responsabilidade indicar as áreas adequadas para receber termelétricas e a Agência Nacional de Águas observa apenas se há água disponível. Ou seja, com a outorga, torna-se fácil obter licenciamento para iniciar as obras e operar.

Para tentar diluir as dúvidas e colocar todos os atores interessados  – como a sociedade civil, a comunidade científica, os setores empresariais e o poder público – na mesma mesa de discussão, o Workshop tratou de temas como: I) o papel da termeletricidade no Sistema Interligado Nacional (SIN); II) os desafios atuais e futuros associados à gestão ambiental e territorial de UTEs; III) a integração de políticas setoriais à luz da experiência internacional; IV) e o financiamento como ferramenta do desempenho socioambiental dos projetos. No segundo dia, com foco em inovações tecnológicas, o debate girou em torno da temática do resfriamento a seco das termelétricas, utilizando o ar em vez da água.

Roberto Kishinami, coordenador do portfólio de Energia no Instituto Clima e Sociedade, ressaltou a importância de potenciais ações concretas ventiladas durante o evento. “A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) sugeriu um estudo de caso justamente sobre as termelétricas no Ceará, onde houve de fato um conflito entre o uso da água para abastecimento e consumo humano e sua utilização para geração de energia dentro dessas usinas. Esse assunto é muito pertinente e, por isso, uma pesquisa e análise apurada torna-se tão relevante”, concluiu.

 

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