Vozes pela democratização da COP30

Vozes pela democratização da COP 30

 

Mobilizar a opinião pública para que mais e mais vozes se posicionem sobre o enfrentamento das mudanças climáticas é o objetivo do eixo de Engajamento de Agentes de Mudança para a Ação Climática, do iCS. Com a aproximação da COP 30, a ser realizada em Belém (Pará), em 2025, o iCS trabalha para que a sociedade civil brasileira esteja fortalecida e engajada para liderar a jornada até o evento, e dar visibilidade às pautas e mensagens que posicionarão os instrumentos climáticos a favor dos territórios, das culturas, da floresta, das cidades, da biodiversidade, da qualidade de vida das pessoas de todo o planeta. Esta será a primeira conferência do clima a acontecer na Amazônia.

A base desse trabalho é o Vozes, ecossistema que reúne mais de 30 organizações não governamentais, de dentro e fora da Amazônia brasileira e de diversos segmentos (juventudes, populações urbanas, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais), para discutir e elaborar ações coletivas em diferentes frentes de atuação, e também conectando e apoiando iniciativas próprias de cada uma das organizações participantes.

O objetivo é promover uma jornada de mobilização e engajamento pelo clima tendo em vista a COP-30 em Belém. “Visamos fortalecer o ecossistema de organizações, coletivos e movimentos para que possam incidir sobre a agenda climática e mobilizar decisivamente a sociedade em prol da agenda, tendo a COP 30 como uma verdadeira demonstração da participação cívica e democrática, bem como uma janela de oportunidades para que o Brasil construa um legado positivo na esfera multilateral e doméstica”, diz Leonildes Nazar, especialista em engajamento e Incidência em Política Climática no iCS.

O Vozes é um espaço de criação de estratégias de engajamento ativo desde 2021 cujas organizações, para a COP-30, visam atuar em uma ou mais frentes de trabalho como campanha e comunicação; ativismo e advocacy; mobilização; formação; e pesquisa e incidência em negociações. Para a jornada até a COP-30, quatro agendas principais aparecem como focos temáticos das organizações – adaptação climática, transição energética, transição justa e sistemas alimentares.

“A estratégia de atuação de um movimento climático brasileiro só faz sentido se for construída coletivamente. Precisamos de uma grande jornada de mobilização e engajamento em torno de temas-chaves e minimamente comuns para apresentarmos à sociedade, respeitando as particularidades das organizações e assegurando a pluralidade para que as mensagens certas cheguem ao lugar em que a agenda precisa avançar”, avalia Nazar.

Conheça as iniciativas e seus resultados até agora

Para além das ações unificadas e coordenadas dentro do Vozes, as organizações que compõem esse ecossistema têm atuado em frentes estratégicas da política climática local, nacional e internacional, e devem ampliar sua agenda no marco da COP-30 no Brasil.

Engajamundo

Composta por lideranças jovens brasileiras e com uma rede ampla de voluntários de todas as regiões do país, o Engajamundo foi uma das organizadoras do RCOY – Conferência Climática Regional de Juventudes Latinoamericanas –, um espaço de fortalecimento para jovens ativistas e de articulação entre diversas redes para juventudes, que aconteceu, pela primeira vez, no Brasil. Belém foi a cidade contemplada – não por acaso – para sediar esse evento, demostrando o papel-chave do Engajamundo para a constituinte de Juventudes também apoiada pelo iCS.

O RCOY aconteceu em setembro, com programação em diversos bairros e regiões da cidade, como Jurunas e Ilha do Combú. Durante a Conferência, foi produzida a Declaração das Juventudes, a ser entregue a autoridades da Amazônia durante a COP 30. E, também, é um evento-chave durante o qual é definida a governança da representação da juventude na UNFCCC.

Gueto Hub e Coalizão COP das Baixadas

A Coalizão COP das Baixadas é uma rede formada por 18 organizações comunitárias e coletivos periféricos de Belém, unidas em prol de que as populações das periferias sejam ouvidas e ajudem a tomar as decisões relacionadas às políticas de enfrentamento às mudanças do clima. Nesse sentido, sob liderança do Gueto Hub, uma das organizações que integram a Coalizão, foi lançado em setembro de 2024 o Programa Institucional Yellow Zone, que busca descentralizar o debate climático levando ações e discussões sobre o tema às comunidades fora do centro da capital.

Festival Yellow Zone Gueto Hub e Coalizão COP das Baixadas / Foto: Hugo Chaves

Por meio da criação de zonas culturais, o Festival Yellow Zone inaugurou seus primeiros centros de informações turísticas e comunitárias, na Vila da Barca, uma das maiores comunidades sobre palafitas da América Latina, e no Jurunas, um dos bairros mais populosos da capital paraense, formado por uma diversidade étnico-racial de povos indígenas, negras e ribeirinhos.

Nas Yellow Zones acontecerão atividades de conscientização, formação e mobilização pró-clima, por meio de ações e manifestações culturais que fortaleçam as vozes das comunidades. Além desses dois locais, estão previstas atividades em outras áreas periféricas da região metropolitana de Belém até a COP-30, promovendo o envolvimento da população local com os temas e o evento.

O nome ‘yellow zone’ faz alusão à blue zone e à green zone, áreas em torno das quais são organizadas as atividades oficiais das Conferências do Clima. A primeira é a área restrita, onde ocorrem as negociações entre os países-membro da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC). A green zone é a área aberta ao público geral, onde acontecem os eventos paralelos das COPs.

Laboratório da Cidade

Organização da sociedade civil, o Laboratório da Cidade tem foco na criação de soluções inovadoras para que as cidades sejam mais democráticas, sustentáveis e resilientes. Criada em Belém, atua principalmente nas áreas urbanas da Amazônia, com ações para enfrentar desafios como as mudanças climáticas, por meio de participação comunitária.

3 Encontro das Cidades – Laboratório da Cidade

Em 2024, o Laboratório da Cidade promoveu o 3º Encontro das Cidades, em Belém, a fim de criar um espaço de diálogo para a construção de uma agenda sustentável para as cidades da Amazônia e fomento de um ecossistema de inovação, trazendo a população como protagonista na busca pelas soluções a serem levadas à COP 30. Questões como justiça ambiental e direito à cidade deram a tônica ao debate. O quarto encontro está previsto para acontecer em 2025.

Além disso, em 2024, o Lab da Cidade lançou ao público mais uma edição de seu Museu Itinerante da Amazônia (MIA), criado em 2022, no marco das celebrações pelo Dia da Amazônia. O Museu apresenta criações próprias do Lab, bem como obras e artistas que tratam sobre o resgate da ancestralidade dos povos amazônicos, suas origens, respeito e valorização dos recursos naturais, e suas contribuições para um novo repertório de cidades, dentro e fora da região, que sejam resilientes e adaptadas para o enfrentamento dos riscos associados às mudanças climáticas.

3 Encontro das Cidades – Laboratório da Cidade

Associação de Pesquisa Iyaleta

Instituição reconhecida como Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), dedicada à produção de pesquisas com foco em soluções para eliminar desigualdades raciais, étnicas, territoriais, de gênero e sociais. A organização também atua como membro observador da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), contribuindo para o avanço de conhecimentos nas áreas das ciências humanas, naturais e tecnológicas.

A Iyaleta organizou, em 2024, a 3ª edição do Spring Iyaleta, com o tema “Inovação e Transparência: adaptação climática com equidade”. Essa iniciativa consistiu em três cursos livres online, sendo um deles com o título: “Panorama das negociações internacionais do clima entre a COP 29 e a COP 30”.

O Spring teve como objetivo aprofundar o conhecimento sobre inovação e transparência no contexto da adaptação climática, promovendo discussões técnicas e tecnológicas que pudessem ampliar a compreensão científica das realidades urbanas e rurais do Brasil.

Comitê COP 30

A união de diversas organizações com o objetivo de construir um legado para agenda climática com perspectiva socioambiental a partir da Amazônia e da América Latina, no marco dos 10 anos do Acordo de Paris, aconteceu em 2023 na COP 28, em Dubai. O Comitê COP-30, liderado por cinco organizações amazônicas brasileiras – Comitê Chico Mendes, Laboratório da Cidade, Instituto Mapinguari, Mandi e Tapajós de Fato –, e composto por mais de 20 membros da sociedade civil de diferentes segmentos, busca ampliar e fortalecer a incidência, a partir do território amazônico, em conferências e fóruns climáticos locais, nacionais e internacionais, a fim de garantir um maior comprometimento dos governos com ações conectadas às demandas, realidades e dinâmicas dos territórios.

Em outubro de 2024, o Comitê COP-30 lançou a Campanha “Nossa Chance para adiar o fim do mundo’ Visando fortalecer a elaboração de metas nacionais para o enfrentamento da crise climática. O lançamento da campanha ocorre com a publicação de um documento contendo metas e diretrizes para que as soluções climáticas estipuladas e implementadas pelo Brasil estejam alinhadas às metas e aos desejos de seus cidadãos.

O documento apresenta proposições para cinco eixos temáticos: adaptação climática, restauração ecológica, sistemas alimentares, meios de implementação e governança climática, e demarcação territorial. O lançamento acontece em um momento estratégico, considerando o período crucial de elaboração de propostas que serão apresentadas nas próximas conferências internacionais sobre o clima.

Amazônia no centro do debate

O Vozes foi um dos responsáveis por levar a Amazônia para o centro do debate em 2022 por meio da iniciativa ‘Amazônia e Eleitorado’, que envolveu mais de 100 organizações, para incidir na opinião pública e sensibilizar as candidaturas.

As ações aconteceram em todo o país, entre os dias 1º e 10 de setembro de 2022. As organizações foram articuladas por meio de hubs de engajamento , sendo que  o principal pico de mobilização  foi o Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro, cerca de um mês antes do primeiro turno das eleições.

Foram diversas atividades e manifestações por meio dos Festivais Dia da Amazônia (10 shows e festivais em oito cidades, com público de mais de 200 mil pessoas), Virada Amazônia de Pé (650 atividades inscritas) e outras 40 iniciativas de grantees e parceiros do iCS. No total, aconteceram cerca de 700 ações e campanhas simultâneas.

Ainda, campanhas específicas foram lançadas para o Dia da Amazônia, com o objetivo de mobilizar a sociedade e, em especial, a mídia, para aumentar o alcance e conversar com os diferentes perfis do eleitorado brasileiro sobre as questões relacionadas à região amazônica.

Uma das campanhas foi a do ‘Amazônia Mãe do Brasil’, um perfil criado nas principais redes sociais e que trazia um tom de voz peculiar aos posts: a Amazônia falando em primeira pessoa, com um vocabulário típico de uma mãe que conversa com seu filho. Mais de 42 milhões de usuários únicos foram alcançados por ao menos um post do perfil e cerca de 8 milhões de engajamentos obtidos por meio de curtidas, comentários, salvamentos, cliques em links e outras formas de interação.

A mídia deu destaque às campanhas e mobilizações. No total, 220 veículos publicaram matérias e reportagens, que se somaram a inserções de vídeo e ações em programas de TV de alcance nacional.

No Dia da Amazônia, a maior parte dos candidatos à Presidência se manifestou em suas redes sociais sobre a Amazônia.

 

 

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