Uso da Terra
O Brasil é um dos líderes globais em produção agropecuária, tendo papel chave na segurança alimentar mundial. O país tem um horizonte promissor para a ampliação de sua competitividade global no setor, mas para isso precisa aprofundar suas ações de integração entre produção agropecuária, conservação da vegetação nativa e incentivo a atividades que valorizam os produtos da sociobiodiversidade e os serviços ecossistêmicos, em todos os biomas. É necessário apoiar a transição dos setores de uso da terra e agropecuária para sistemas de baixo carbono e resilientes, promovendo práticas regenerativas, a restauração florestal e a bioeconomia.
Atualmente, as mudanças no uso da terra representam a maior parte das emissões de gases de efeito estufa no Brasil. Já o setor agropecuário é responsável por um quarto das emissões totais do país. O iCS apoia a transição para sistemas alimentares que promovam a inclusão social, a segurança alimentar e nutricional, a rastreabilidade, assim como a adaptação e a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Bioeconomia e
Restauração
O iCS foca na promoção da restauração de ecossistemas e na conservação da floresta em pé, com incentivos que resultem na geração de negócios de restauração e de bioeconomia e que permitam, além da captura de carbono, o desenvolvimento mais sustentável e competitivo regional, gerando emprego, renda e qualidade de vida para populações locais.
Abordagens:
- Produtos da sociobiodiversidade: fomento ao manejo e aproveitamento econômico de produtos sustentáveis; arranjos comerciais regionais e extensionismo; autonomia produtiva de agricultores familiares, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais; apoio à economia da floresta em pé, políticas públicas, incentivos fiscais e conhecimento;
- Restauração da vegetação nativa: articulação em prol de fluxos de capital para a restauração; impulso aos elos da cadeia de valor da restauração e a mercados para seus produtos e serviços; promoção de políticas públicas e marcos regulatórios (Planaveg, Código Florestal, Concessões Públicas, entre outros) para a restauração em escala e a ampliação da regeneração de florestas secundárias.
Agro e Sistemas
Alimentares
Esta frente promove a transição para sistemas agroalimentares mais regenerativos, inclusivos e resilientes, a fim de posicionar o país como referência global e fortalecer medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Além disso, atua para promover o acesso a dietas saudáveis e sustentáveis, e a conscientização de consumidores e da opinião pública.
Abordagens:
- Financiamento Verde: incentivar práticas regenerativas por meio do Plano Safra; estabelecer uma taxonomia sustentável para orientar a concessão de crédito, investimentos privados e o direcionamento de recursos a práticas regenerativas; apoiar o engajamento de investidores internacionais (públicos e privados) em boas práticas agropecuárias no Brasil; no âmbito do Pronaf, atuar pelo acesso ao crédito a pequenos agricultores que adotam técnicas sustentáveis;
- Pecuária bovina: mapeamento de pastagens degradadas; produção de subsídios técnicos para políticas como o Programa Nacional de Conversão e Recuperação de Pastagens Degradadas (PNCPD); implementação de sistemas de rastreabilidade, com monitoramento socioambiental e inclusão dos pequenos produtores da Amazônia;
- Alimentação: construção do Marco de Alimentação e Clima, para integrar medidas de segurança alimentar às metas climáticas; fortalecer a agricultura familiar e as cadeias da sociobiodiversidade; organizar e capacitar cooperativas e associações; promover uma ampla agenda na COP 30 de alimentação saudável e sustentável e promover a gastrodiplomacia;
- Liderança: fortalecer o papel da agropecuária brasileira como líder global na transição para sistemas sustentáveis e regenerativos; promover o diálogo, furando bolhas e evitando polarizações; avançar no que o país tem potencial de liderança, como biocombustíveis, fertilizantes verdes, bioinsumos e comércio de créditos de carbono da agropecuária.
Emissões de uso
da terra
O Brasil possui uma avançada legislação ambiental, no entanto, enfrenta inúmeros desafios na sua implementação. O iCS contribui para a proteção dos ecossistemas brasileiros, territórios e direitos de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, por meio do fomento à aplicação das leis. Atua pelo acesso à informação, e na geração de conhecimento, destinação de terras públicas, criação de áreas protegidas e planos de combate a incêndios.
Abordagens:
- Transparência e acesso à informação, tornando públicos dados de desmatamento legal e ilegal através da transparência de Autorizações de Supressão da Vegetação; apoiar a rastreabilidade agropecuária e florestal, promovendo práticas sustentáveis e oferecendo produtos íntegros e alinhados às crescentes demandas de mercado;
- Aprimoramento das leis (enforcement) e políticas públicas para a proteção da vegetação nativa e restauração florestal; criação de soluções jurídicas para questões fundiárias e ambientais; quantificação de danos climáticos; aplicação de sanções com o uso da inteligência artificial; apoio aos estados na execução do Código Florestal;
- Áreas protegidas: destinação adequada de terras públicas, regularização fundiária e garantia de direitos de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais; instrumentos de gestão territorial e planos de manejo em terras indígenas e territórios quilombolas; desintrusão e responsabilização de violadores;
- Incêndios: apoio a ações federais e de estados e municípios para prevenção e combate ao fogo, em áreas públicas e privadas; promoção de estudos sobre predisposição/risco ao fogo, infraestrutura para o combate e planos de prevenção e resposta.
Equipe
Doações
Estruturar um programa de bolsas voltado à formação acadêmica de jovens pesquisadores(as) quilombolas amazônidas em diferentes níveis (Iniciação Científica, Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado). Pretende constituir uma rede de pesquisadores(as) quilombolas da Amazônia Legal e financiar pesquisas em temas como justiça climática, bioeconomia, proteção territorial e regularização fundiária.
Viabilizar a operacionalização da Secretaria Executiva da Rede de Pesquisa para uma Economia Sustentável da Amazônia (RESA) no ciclo 2026–2028, enraizando a gestão na Amazônia, priorizando: a) consolidação da identidade e missão; b) incidência qualificada junto a tomadores de decisão e c) captação de recursos. Adicionalmente, acompanhar o doutorado da antropóloga indígena Braulina Baniwa.
Estruturar um programa de bolsas voltado à formação acadêmica de jovens pesquisadores/as amazônidas oriundos de Povos e Comunidades Tradicionais, em diferentes níveis (Iniciação Científica, Mestrado, PhD e Pós-Doutorado). Envolverá a concessão de bolsas, mentoria, articulação junto a Rede de Pesquisa em Economia Sustentável da Amazônia (RESA) e produção de relatórios técnicos.
Promover pesquisas conduzidas por pesquisadores(as) indígenas da Amazônia Legal, voltadas à sociobiodiversidade, às ciências indígenas e às estratégias territoriais de sustentabilidade, por meio de um Programa de Bolsas de Pesquisa implementado em parceria com o Centro Amazônico de Formação Indígena da COIAB (CAFI).
Fortalecer a presença de empresas brasileiras da bioeconomia amazônica no mercado internacional, facilitando a exportação de produtos e serviços. Estão previstas ações de (1) inteligência de mercado estruturantes, (2) capacitação e preparação para exportação, (3) promoção comercial e geração de negócios e (4) promoção de imagem e posicionamento internacional.
Fortalecer a governança, a capacidade de articulação e a produção de conhecimento em três iniciativas complementares lideradas pela organização junto a parceiros: o Observatório de Pagamentos por Serviços Ambientais (OPSA), a Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia e o Grupo de Trabalho de Sociobioeconomia do Bioeconomy Challenge.
O projeto avalia, com abordagem quase-experimental, os impactos do microcrédito rural sobre agricultores familiares na Amazônia Legal. Explora o Programa AgroAmigo e sua ausência em áreas semelhantes, estimando efeitos em condições reais. Combina inferência causal e metodologias participativas, gerando evidências e recomendações para o aprimoramento de políticas públicas de crédito rural.
Desenvolver e implementar um programa estratégico de capacitação em cacau fino para produtores da Transamazônica, estruturado em dois módulos: Qualidade do Cacau e Abertura de Mercado Internacional, com foco na geração de valor, competitividade e posicionamento de mercado. Este projeto possui co-financiamento da GIZ e TNC – apoio do iCS foca na abertura de mercado internacional.
O projeto propõe uma estratégia de incidência político-institucional para aprimorar a política de seguro rural no Brasil, focada em produtores de menor porte. A atuação combina construção de consensos técnicos com base em evidências da Agroicone e do Observatório do Seguro Rural, articulação por mesas de diálogo e seminário multi-stakeholder e advocacy junto ao Legislativo, Executivo e regulador.
Patrocinar duas iniciativas da Converge Capital para posicionar o iCS junto a públicos das finanças sustentáveis: o Systemic Investing Summit 2026, encontro global no Rio de Janeiro com investidores e lideranças para mobilização sistêmica de capital; e a 1ª temporada do podcast “O Clima na Faria Lima”, com o InfoMoney, levando a agenda climática ao mercado financeiro em 12 episódios.
Fortalecer as economias do Bem Viver no Baixo Amazonas (PAE Lago Grande, RESEX Tapajós-Arapiuns e várzeas), com protagonismo das juventudes. Atuando através de quatro eixos: 1- diagnóstico e zoneamento participativo, 2- formação de jovens para incidência política, 3- campanhas de comunicação popular e 4-laboratórios vivos para experimentar práticas sociobioeconômicas enraizadas nos saberes locais.
Fortalecer o acesso ao PRONAF e sua integração com o PNAE por meio de governança territorial de crédito e comercialização que amplie renda, inclusão produtiva no Semiárido. Parte do PRONAFÃO, o projeto terá foco no Semi-Árido e atuará em advocacy regulatório para aprimorar o PRONAF, estruturando recomendações para adequar seus mecanismos ao perfil da agricultura familiar na região.
Avaliar e calibrar, com dados geoespaciais e socioeconômicos, as condições de elegibilidade e salvaguardas mínimas da Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) para imóveis rurais. Os resultados apoiarão o Ministério da Fazenda no fortalecimento da TSB como instrumento para políticas públicas, crédito rural e investimentos sustentáveis, com integridade ambiental e justiça social.
Promover transparência e sustentabilidade nos sistemas agroalimentares, o projeto tem com foco a cadeia da carne e os impactos do consumo de alimentos de origem animal sobre a saúde e o clima. Fortalecer a rastreabilidade, ampliar o acesso à informação e incidir em políticas públicas, inclusive a partir de países importadores como China e UE.
Contribuir para ampliar integridade e escala de projetos de restauração florestal e carbono, através de: i. guia de boas práticas de verificação; ii. estudo sobre perdas financeiras associadas à falta de monitoramento/manutenção; iii. mapeamento do risco climático; iv. workshop sobre padrões/boas práticas de monitoramento; v. discussões sobre padrão de certificação de carbono brasileiro.
Ampliar o acesso de cooperativas da agricultura familiar ao PRONAF, por meio da criação de um sistema de finanças solidárias com bancos comunitários, formação de jovens agentes de crédito e capacitação em educação financeira, articulando advocacy para desburocratizar o crédito e fortalecer agroindústrias sustentáveis.
Analisar vulnerabilidade climática e capacidade de adaptação do setor agro na Serra da Canastra – MG, fortalecendo produtores e atores locais para implementar medidas de adaptação e qualificar políticas baseadas em evidências. O projeto desenvolverá metodologia própria, realizará diagnósticos geoespaciais e institucionais e apresentará recomendações com base científica e engajamento local.
Projeto de formação executiva de 30 horas, com aulas online e encontro híbrido, voltado à qualificação de lideranças em instrumentos públicos, mercados de carbono, finanças e bioeconomia. Busca ampliar a capacidade técnica, integrar políticas públicas e capital privado e fortalecer uma rede estratégica para impulsionar investimentos em conservação e restauração florestal.
Fortalecer a base científica e os instrumentos econômicos para enfrentar os riscos climáticos na agropecuária brasileira, desenvolvendo métricas mais precisas de emissões e remoções e aprimorando a integração entre crédito e seguro rural. Espera-se qualificar políticas públicas, reduzir riscos financeiros e ampliar a resiliência de produtores.
Fortalecer processos de destinação de terras no Pará e ampliar capacidade técnica e institucional dos estados da Aliança Brasil Fundiário na priorização e destinação de terras e florestas públicas estaduais e implementar uma prova de conceito dos protocolos do Programa de Rastreabilidade do PA a fim de identificar ajustes necessários e assegurar sua efetividade para pequenos e médios pecuaristas.
Projeto liderado pela Agroicone para fortalecer a gestão de riscos climáticos da agricultura familiar no Brasil, por meio da análise e aprimoramento dos programas Proagro, PSR e PNAE. O trabalho gera evidências e recomendações para políticas públicas mais eficientes, acessíveis e alinhadas à transição para práticas agrícolas regenerativas, com foco no Plano Safra 2026/2027
Aplicar e testar, em escala piloto, a lógica de um modelo de franquias (baseada na ampla experiência do Grupo Trigo) aos contextos produtivos da bioeconomia Amazônica. Negócios de impacto locais atuam como franqueadores junto a parceiros/franqueados em suas cadeias de fornecimento, contribuindo para a redução de riscos, a melhoria de eficiência e o aumento de margem ao longo das cadeias.
Apoiar a estruturação do Natural Intelligence Programme, iniciativa de PD&I para restauração ecológica em escala, prevendo: i. planejamento estratégico e financeiro; ii. plano de desenvolvimento científico e tecnológico; iii. estratégia de comunicação ; iv. engajamento com financiadores e captação e iv. integração às estratégias transversais do PLANAVEG e outros parceiros.
Valorizar e fortalecer o uso sustentável de produtos da floresta como urucum, cumaru, copaíba e pequi, aliando geração de renda, regeneração ambiental e segurança alimentar, reafirmando o papel das mulheres como guardiãs do território e da floresta viva. Com isso, fortalecer a autonomia econômica, ambiental e política das mulheres indígenas do Território Capoto-Jarina.